Essa fome tem nome? Sim. Essa fome tem nome. É o teu.©
"How could I ever forget? Its the first time, the last time we ever met."In the Air Tonight - Nonpoint
Deixa-me escorrer... Eu sou feita disso.
Somos antigos, tu e eu. Antigos e poucos.
Somos novos tu e eu. Mas nascemos por um triz, um para o outro. Somos nossa própria infância, sábia infância de eternidades e brincadeiras. E foi quando o mundo ainda não nos havia descoberto que se deu nosso encontro. Encontro de arrebatamentos. De explosões e extremos.
Somos instante, tu e eu. Momento fugaz e definitivo e por isso mesmo infinito, que nos definiu, acorrentados à nossa imortalidade fugidia. Um escapar doce e breve no desvio do tempo.
Somos ausência, tu e eu. Desejo contido, acorrentado, amputado. Uma fenda, um rompimento brusco no destino. E deu-se o fim, apressadamente errado e precoce.
Somos eternos. Tu criastes meu Musak. Eu contigo ouvi Karnak. Já te fiz poesias. Já me ensinastes fotografia. Já me destes tantos presentes derramados pelas tuas mãos e eu já fui tantas vezes esse cio transbordante escorrendo pelas coxas até teus olhos.
Somos lábios, tu e eu. Trago guardado em minha pele o átimo em que fui do teu beijo, da tua boca. Quando nada mais havia. Trago guardado o que senti quando tuas mãos me invadiram, ousadas e firmes. E teus dedos... E teu gosto... E línguas. E era tudo tão úmido de tamanha folia e fúria, e tudo tinha tanta delicadeza e brasa que até meu coração, meu trêmulo coração, escorria em tuas mãos.
Somos fome, tu e eu. Ainda que assim, anestesiada em letargia involuntária. Somos sim, essa fome, essa vontade encarcerada que não sacia com a distância. Essa pausa na nossa sina. E tu pra mim és o que não cicatriza e não sacia. Minha pele é sangue e fome por tua causa.
Somos medo. Tu, esse recolhimento. Eu, esse desespero que não admite ou suporta perder-te.
Somos nada, tu e eu. Sempre falta, lacuna, corrosão oca na pele. E um vácuo absurdo e insuportável onde nos tocamos.
Somos mais, tu e eu. Não acabamos ainda. Teremos muito. Nada terminou e é tudo apenas um hiato. Porque teu gosto ainda me excita e teus beijos ainda me molham. E foi na ponta da tua língua que eu despejei o meu segredo. E por ti, esqueci o medo. E entreguei-me (à tua carne, à tua fome, à tua sina) com a coragem que nunca antes havia estado tão crua e nua em mim.
Coração pulsante, errante, desarrumado. Tudo certo ou tudo errado. Mas o amor era ali ao lado. E em nós cabia tudo. Cabia o mundo naquele instante profundo. E meu corpo era inteiro torpor e teus dentes eram gula. Eu gemidos, tu sabor.
Somos certos, tu e eu. Não foi aleatoriamente que eu te quis. Antes sim, amei-te pleonasmo. Amei-te assim, definitiva e ousadia. Amei-te sempre, de repente, irremediavelmente. E em mim tu ainda restas, ardente e melancolia.
Somos mais, eu e tu. Nada ainda entre nós acabou. Porque fomos grandes, desde o começo. Fomos tanto. Fomos loucos. Tu sempre me soubes. Eu sempre te coube. Doce. Doce.
Somos fênix tu e eu. Nascemos dos olhares silenciosos um do outro. Nascemos da febre que queimava e ardia na nossa pele vazia desde o princípio. Fundimo-nos nas sombras do querer. Um querer antigo como a vida, construído cuidadosa e lentamente. Uma vontade têmpera, férrea como memória.
Somos tudo, tu e eu. Forjamos os caminhos nas entranhas do destino. E nos pertencemos. E foi tudo intenso, mesmo que incompleto. E teso, mesmo que insuficiente. E continuarás em mim até que eu mesma não mais exista. Porque deixei-me em ti. E agora tu perambulas aí com minha metade arrancada e eu guardo teus pedaços que sulcaram vida e gozo em mim.
Por tua causa eu sou outra. E ainda te quero. E por isso mesmo, espero.
Somos silêncio, tu e eu. E só o que grita é o que eu ainda não te disse. E grita alto, urgente. Desencanto amargo aguardando teus sinais.
Somos promessa e cura, tu e eu. Destilado o veneno das horas, aplacada a ironia dos deslizes, o que sobra é o que nos une, o que nos salva, o que nos move. O que sobra são nossas línguas entrelaçadas, atadas nos nós do tempo.
Somos ainda, eu e tu. Continuação. Reticências. Mergulho traçado.
Somos dentro, tu e eu. Somos Perto. Somos para sempre. Imperfeitos. Imponderáveis.
Somos inevitáveis, tu e eu.
Somos novos tu e eu. Mas nascemos por um triz, um para o outro. Somos nossa própria infância, sábia infância de eternidades e brincadeiras. E foi quando o mundo ainda não nos havia descoberto que se deu nosso encontro. Encontro de arrebatamentos. De explosões e extremos.
Somos instante, tu e eu. Momento fugaz e definitivo e por isso mesmo infinito, que nos definiu, acorrentados à nossa imortalidade fugidia. Um escapar doce e breve no desvio do tempo.
Somos ausência, tu e eu. Desejo contido, acorrentado, amputado. Uma fenda, um rompimento brusco no destino. E deu-se o fim, apressadamente errado e precoce.
Somos eternos. Tu criastes meu Musak. Eu contigo ouvi Karnak. Já te fiz poesias. Já me ensinastes fotografia. Já me destes tantos presentes derramados pelas tuas mãos e eu já fui tantas vezes esse cio transbordante escorrendo pelas coxas até teus olhos.
Somos lábios, tu e eu. Trago guardado em minha pele o átimo em que fui do teu beijo, da tua boca. Quando nada mais havia. Trago guardado o que senti quando tuas mãos me invadiram, ousadas e firmes. E teus dedos... E teu gosto... E línguas. E era tudo tão úmido de tamanha folia e fúria, e tudo tinha tanta delicadeza e brasa que até meu coração, meu trêmulo coração, escorria em tuas mãos.
Somos fome, tu e eu. Ainda que assim, anestesiada em letargia involuntária. Somos sim, essa fome, essa vontade encarcerada que não sacia com a distância. Essa pausa na nossa sina. E tu pra mim és o que não cicatriza e não sacia. Minha pele é sangue e fome por tua causa.
Somos medo. Tu, esse recolhimento. Eu, esse desespero que não admite ou suporta perder-te.
Somos nada, tu e eu. Sempre falta, lacuna, corrosão oca na pele. E um vácuo absurdo e insuportável onde nos tocamos.
Somos mais, tu e eu. Não acabamos ainda. Teremos muito. Nada terminou e é tudo apenas um hiato. Porque teu gosto ainda me excita e teus beijos ainda me molham. E foi na ponta da tua língua que eu despejei o meu segredo. E por ti, esqueci o medo. E entreguei-me (à tua carne, à tua fome, à tua sina) com a coragem que nunca antes havia estado tão crua e nua em mim.
Coração pulsante, errante, desarrumado. Tudo certo ou tudo errado. Mas o amor era ali ao lado. E em nós cabia tudo. Cabia o mundo naquele instante profundo. E meu corpo era inteiro torpor e teus dentes eram gula. Eu gemidos, tu sabor.
Somos certos, tu e eu. Não foi aleatoriamente que eu te quis. Antes sim, amei-te pleonasmo. Amei-te assim, definitiva e ousadia. Amei-te sempre, de repente, irremediavelmente. E em mim tu ainda restas, ardente e melancolia.
Somos mais, eu e tu. Nada ainda entre nós acabou. Porque fomos grandes, desde o começo. Fomos tanto. Fomos loucos. Tu sempre me soubes. Eu sempre te coube. Doce. Doce.
Somos fênix tu e eu. Nascemos dos olhares silenciosos um do outro. Nascemos da febre que queimava e ardia na nossa pele vazia desde o princípio. Fundimo-nos nas sombras do querer. Um querer antigo como a vida, construído cuidadosa e lentamente. Uma vontade têmpera, férrea como memória.
Somos tudo, tu e eu. Forjamos os caminhos nas entranhas do destino. E nos pertencemos. E foi tudo intenso, mesmo que incompleto. E teso, mesmo que insuficiente. E continuarás em mim até que eu mesma não mais exista. Porque deixei-me em ti. E agora tu perambulas aí com minha metade arrancada e eu guardo teus pedaços que sulcaram vida e gozo em mim.
Por tua causa eu sou outra. E ainda te quero. E por isso mesmo, espero.
Somos silêncio, tu e eu. E só o que grita é o que eu ainda não te disse. E grita alto, urgente. Desencanto amargo aguardando teus sinais.
Somos promessa e cura, tu e eu. Destilado o veneno das horas, aplacada a ironia dos deslizes, o que sobra é o que nos une, o que nos salva, o que nos move. O que sobra são nossas línguas entrelaçadas, atadas nos nós do tempo.
Somos ainda, eu e tu. Continuação. Reticências. Mergulho traçado.
Somos dentro, tu e eu. Somos Perto. Somos para sempre. Imperfeitos. Imponderáveis.
Somos inevitáveis, tu e eu.
*Texto registrado na Biblioteca Nacional.
Todos os direitos reservados.
CONTINUUM (TU E EU)© by Van Luchiari is licensed under a
Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-
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Foto: Daunhaus ("Night Trap")







20 MIL RECADINHOS:
Lindo... mto lindo, belas as tuas palavras, sensualidade e beleza no que aqui deixas para lermos... adorei.
Bjs grandes
Nuno
VIDA. ponto reticências/
Yep, somos os que somos
como somos
como sonos
Mas pretendo evitar a rima espasmódica do inevitável:
cromossomos.
But I couldn't, I couldn't.
Excuse.
És linda.
Deus está morto.
Assinado : Nietzsche
Nietzsche está morto.
Assinado : Deus
O amor está morto.
Assinado : Joe Brazuca
Joe Brazuca está morto.
Assinado : o amor
esquece !...nao há o que fazer...
(meio exasperado mas muito bom...)
quem anda lendo meus pensamentos?! essa do "cromossomos" foi (só) ideia minha recente para escrever um texto... jogando com as palavras! agora tem que ter direitos de autor pra pensamentos, é??? :-)
coisas curiosas. hoje é a terceira!
Tu e Eu, Nós...
és, sou, somos,
construção consistente que fica um tanto romãntica e um tanto amarga, contraponto que gosto muito num escrito.
bjo
Total . Totalmente total .
Muito bom, como só tu.
teu
Geraldes de Carvalho
NUNO
Obrigada querido. Também eu estava com saudades de mim. Ainda sei escrever. Que bom! =) E que bom te ver por aqui. Beijucas
ANÔNIMO [1]
Ponto ou reticências?
Prefiro as reticências que são o que nos permite respirar pra poder continuar. Combinam mais com a vida. Reticências são possibilidades. São chances. São perdões pros pecados diários que cometemos.
Definitivamente, reticências.
E pra ti?
OSMAR
Já outras vertentes dizem algo como: "todo mundo é parecido quando sente dor..."
E quando ama, e quando deseja, e quando perde...
Saudades, baby. Fica bem. Beijucas
ANÔNIMO [2]
Se tu dizes..... ;)
JOE
exasperado
e.xas.pe.ra.do
adj (part de exasperar) 1- Que se exasperou. / 2- Irritado ou importunado, especialmente até um ponto de ação injudiciosa./ 3- Biol Tornado áspero por acúleos ou elevações irregulares.
exasperado
e.xas.pe.ra.do
v.t.d. e p. 1- Irritar(-se) muito; encolerizar(-se). / 2- Agravar(-se), exacerbar(-se).
********
E pensando bem, não é assim mesmo a paixão, o desejo, o querer?
Brigada querido.
Beijucas
ANONIMO [3]
Idéias são rápidas! ;)
CRISTIANO
Também gosto dessa melancolia. Acho doce, acho amarga, acho doce....
Obrigada muito, querido.
Beijucas
GÊ
=)))))))))))))))))
Como só eu....... e tu.
;)
Beijucas + Saudades
Sempre inspirada e que inspiração...
Muito lindas as pérolas que brotam de você.
Parabéns, Van.
Do seu admirador,
Daniel
oi van,
PONTO para o "inevitáveis" e RETICÊNCIAS para o "tu e eu".
bj. escreve sempre!
Mas que puxa.
Estou lendo seu blog, volto para o Twitter e reparo que você acaba de dar uma passada no meu.
Poxa, fiquei SEM JEITO, não sei bem se com você, com o Destino (a única força cósmica do Universo com senso de humor) ou com você agindo mancomunada com o Destino.
De toda forma, vi que ganhei uma seguidora com muita poesia a se seguir também.
Nas palavras que nos encontramos, não?
Beijo pra ti e parabéns pelos textos! Vão ainda me tomar um longo e agradável tempo... ou isso seria antes dar do que tomar?
A-do-rei!!!
Muito lindo, tudo.
E você cantando, tudo.
Tudo de bom, bonito e brilhante...
Adorei tudo por aqui... Lindas postagens...
Virei mais vezes!
Beijos,
Lu.
Muito bom como sempre, Van. A cada postagem uma nova entrega, total, sem barganhas ou exigências. Simplesmente derreter-se. Tira o fôlego.
um bjo van! como eu disse:
estacionei no seu blog...
to te seguindo no twitter,
mas aqui nem consegui, aff.
um bjo!!!
=*
Sugar, where have you gone? Espero que esteja tudo bem, mas come back logo...
e por um triz haverão sempre de ser, o eu e o tu.
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